O Garoto Do Vortice


Fazia muito frio naquela tarde de agosto de 1989, apesar de ser 17h00min horas da tarde o céu já se revelava cinza com manchas azul marinho e uma neblina mórbida pairava no ar criando um clima soturno em contraste com as luzes laranjas. De uma rua do lado do campo de futebol não se podia ver a outra rua como de costume e as casas estavam todas fechadas, pois a primeira vista se tratava de um grande temporal. Dentre todos moradores havia um que não tinha medo de nada e sua curiosidade sempre o colocava em apuros, Pat trapaceiro como era conhecido lia muitos livros devido ao fato de ser solitário e ser o mais pobre da rua, aos 15 anos isso contribuía para sua rebeldia que sempre o colocava em brigas. Sua mãe estava vendo a novela depois de um dia cansativa como faxineira e seu tio estava dormindo depois de uma garrafa de cachaça, ele aproveitou para sair pelos fundos, pois achou aquela tempestade muito estranha, como ele lia muito sabia que aquela tempestade não era um Tornado. No pátio de casa olhou para o céu e estava noite, as arvores se dobravam com a forca dos ventos, no campo em frente rodeado por eucaliptos Pat viu um clarão e correu para o meio da rua achando que tinha caído um raio, mas a luz branca azulada permanecia no meio dela um circulo se formou, como um buraco negro só que branco amarelado, de dentro do buraco de luz saiu duas criaturas gigantescas rolando e brigando parecidas com um dinossauro de quatro patas. Eles rolaram pela grama se engalfinhando ate baterem na mureta e irem parar no meio da rua deixando ela em pedaços. O estranho disso tudo pensou Pat, era que com todo aquele vento, o barulho dos animais brigando e o estrondo do muro quebrando ninguém saiu de casa para ver o que estava acontecendo. Eles só pararam de brigar quando ouviram um som parecido com um trator ligando, mas com um ruído continuo. Pat ficou paralisado de pavor ao ver a criatura de quase cinco metros que saiu do buraco ate que teve um estalo. Ele foi abaixado ate os fundos por que a luz havia revelado seu esconderijo, tinha que avisar sua mãe para não sair de casa, mas era tarde, ela já estava na janela olhando com os olhos arregalados. Agora ele tinha certeza, era um ataque alienígena. Ele correu pro quarto dela e a puxou pela mão para fora da casa.
__ Para onde a gente vai filho?
__ Para minha casa na arvore. Lá estaremos seguros.
Eles subiram por um elevador de madeira e corda movida por uma roldana ate o topo da arvore de onde era possível ver toda a rua e o gigante no campo. Pessoas correndo para todos os lados, cachorros acuando, casas e arvores pegando fogo, carros da policia e exercito. Eles atiravam nos bichos menores enquanto eles iam de encontro aos carros como rinocerontes. Um carro chamou a atenção de Pat por ser brindado e com um desenho de radioativo do lado, ele desceu da arvore e foi ate a rua sem ser visto ignorando a reclamação da mãe. Como conhecia todas as casas foi pulando os muros ate chegar a casa na qual o caminhão se encontrava na frente, quando ele passou por uma área nos fundos a havia um garotinho em baixo de uma mesa apavorado, Pat fez um sinal para ele não sair dali. Chegando à rua ele olhou para todos os lados, em meio ao caos tentando chegar ao caminhão um carro de policia vem em sua direção capotando, foi o tempo de ele se abaixar e rolar para baixo do caminhão enquanto podia ver os pés dos policiais e soldados passando correndo e um dos monstros vindo atrás. Quando ele passa pelo caminhão da uma cabeçada fazendo o veiculo capotar para o lado e continua a perseguir os policiais sem perceber Pat. Depois que a criatura se afasta ele vai pro baú do caminhão e para sua sorte a porta amassou e caiu dentro apenas uma caixa preta virada e um militar desmaiado. Ele abre a caixa e dentro encontra um cubo preto com riscos azul neon, iguais a carapaças dos alienígenas. Quando ele encosta-se ao cubo seu corpo começa a sofrer uma mutação ele sente a carapaças se formando de dentro para fora, seu corpo formiga enquanto a matéria negra vai cobrindo tudo inclusive seu rosto. Ele sai, olha no retrovisor de um carro e fica abismado com sua forma preta cheia de riscos azuis brilhantes com um visor azul tampando os olhos. Um dos policias que estava próximo atira nele confundindo com um alienígena, a bala ricocheteia. O general do exercito percebeu o que estava acontecendo e pediu para o garoto largar o cubo no chão.
__Mas não é isso que eles procuram?
__ Garoto você não sabe o que está acontecendo, largue isso se não eu vou ter que atirar. Antes que o general possa perceber, o policial que estava mirando no garoto tombou estatelado no chão, o general se vira e dá de cara com a mãe de Pat segurando uma pá.
__ Nem pense em machucar meu filho!
__ Senhora largue isso. Vocês não sabem o quanto é perigoso.
__ Eu já entendi. Disse Pat. Vocês descobriram o cubo e sabem que ele vem de outra dimensão, mas não sabem como funciona, agora que os verdadeiros donos vieram buscá-lo vocês querem prende-lo. Mas não vai funcionar. Pat olha para o gigante no campo destruindo tudo e decide entregar o cubo a ele, ele sai correndo em direção ao campo pulando sobre os escombros do muro enquanto soldados começam a atirar em sua direção e sua mãe grita desesperada. O gigante alienígena o olha com o cubo na mão e sua forma idêntica a ele e começa a disparar contra os soldados, destruindo tanques e fazendo corpos voarem pelos ares. O garoto se aproxima de vagar e com as duas mãos aponta o cubo na direção do monstro que fala algo em uma língua estranha, o som da sua voz parecia um grande órgão musical daqueles antigos. Ele se abaixa e pega o cubo e o garoto com a mão e vai em direção ao portal, sua mãe desesperada tenta correr para salvar o filho, mas o general a segura. Depois que o gigante entra no portal ele chama os animais que saem correndo por cima dos carros e escombros, quando finalmente as três criaturas somem dentro do portal com o garoto este começa a se fechar ate desaparecer no nada. A mãe de Pat vai ao chão de joelhos chorando copiosamente, o general dá ordens aos soldados para limparem tudo enquanto as ambulâncias cuidam dos feridos.
__ Senhora não fique assim, consola o general á mão, seu filho salvou a cidade. . E quem sabe o mundo.
__ O senhor acha que ele vai voltar?
__ Eu tenho certeza senhora. . .Eu tenho certeza.
O general olha para o céu estrelado que apareceu depois daquela tempestade e pensa consigo: onde estiver garoto, volte para trazer luz a nossa ignorância.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ode A Freyja